A pandemia da Covid-19 e o “primeiro tempo” na Polícia Militar da Paraíba – por Ten Cel Onivan Elias de Oliveira

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“Sempre desejada por mais que esteja errada, ninguém quer a morte, só saúde e sorte.”

(GONZAGUINHA, 1945-1991)

No último “primeiro tempo” tão ruim que assistimos, o Brasil já perdia por cinco gols a zero contra a Alemanha no dia 08 de julho de 2014, numa partida válida pela semifinal da Copa do Mundo de Futebol, no estádio “Mineirão” em Belo Horizonte, Minas Gerais.
O “primeiro tempo” do ano de 2020, apresenta fortes sintomas que, similar àquela fatídica partida de futebol, não terá os melhores dos resultados no campo da segurança pública no Brasil e em particular no Estado da Paraíba.
Através do Decreto no 40.122 de 13 de março de 2020, publicado no Diário Oficial do Estado no 17.076 de 14 de março de 2020, o governador declara situação de Emergência no Estado da Paraíba ante ao contexto de decretação de Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional pelo Ministério da Saúde e a declaração da condição de pandemia de infecção humana pelo Coronavírus definida pela Organização Mundial de Saúde.
Até o término do “primeiro tempo”, ou seja, 30 de junho de 2020, o score já marcava o dobro da partida entre Brasil e Alemanha acima citada, sendo registradas :

10 (dez) mortes decorrentes da Covid-19 (Coronavírus) de policiais militares paraibanos, com o perfil seguinte:

1] todos masculinos;

2] idade de morte média 53 anos;

3] tempo de serviço médio 30,7 anos

4] doenças pré-existentes relacionadas: Diabetes Mellitus, Hipertensão Arterial Sistêmica, Insuficiência Respiratória Aguda e Insuficiência Renal Aguda.

Nesse diapasão, não se encontra nenhum registro na página oficial do Conselho Nacional de Comandantes Gerais PM/BM (CNCG2), fazendo referência ou ainda mensagens de pesar pelo falecimento de dezenas de policiais militares brasileiros por Coronavírus (Covid 19) ou mesmo quaisquer outras causas, entre os meses de março e o final do “primeiro tempo” (junho).
No campo da segurança pública no país como um todo, e na Paraíba em particular, aponta na direção que os indicadores dos Crimes Violentos e Intencionais (CVLI), também estão “entubados e na UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, apelando para que, no “segundo tempo”, os sinais vitais tenham uma melhora, sob o risco de o
“paciente” entrar em “falência de múltiplos órgãos.” Segundo dados da Secretaria de
Segurança Pública e Defesa Social (SEDS), no primeiro trimestre de 2020 houve um
aumento de 12% nos indicadores dos CVLIs, saltando de 237 para 266

Por fim, estamos falando em vidas e histórias humanas interrompidas, não apenas números para comporem planilhas e gráficos, e nesse sentido, desejamos que o Brasil e a Paraíba venham melhores taticamente preparados para o “segundo tempo”, pois persistir no replay dos “piores momentos”, só aumentará a tragédia para o campo da segurança pública e para a população brasileira.

 

Onivan Elias de Oliviera

Tenente Coronel da Polícia Militar da Paraíba.