Qual o interesse de um governador interferir em eleições de entidades da Polícia, senão o de controlar e calar a categoria

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As fotos em Palácio da Redenção revelam que estamos a caminho do fundo do poço.  Dois candidatos nas eleições de duas importantes entidades da Polícia e Bombeiros Militares da Paraíba foram para sessão de beija-mão. Resgataram um ato antigo em que os súditos inclinavam o corpo e beijavam a mão direita do rei, em sinal de reverência.

O atual governador da Paraíba gosta disso. Apesar do discurso de republicano ele guarda características de um monarca.  Demonstrou isso recentemente quando, de forma indevida, exigiu que representantes do Poder Legislativo fossem para a sessão de beija-mão, pedir clemência ao rei, e autorização para formar uma chapa para disputar eleições da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.

Mas voltemos a sessão beija-mão em Palácio com os candidatos “chapa branca” a comandar as entidades da Polícia e Bombeiros Militares da Paraíba. A estratégia pode ser um tiro no pé. Pois os militares beneficiados pelo governador, de alguma forma, já votam em que o rei mandar, ou indicar. Agora a grande maioria que já ouviu diversas promessas não serem cumpridas, qual razão teriam para acreditar em mais uma, às vésperas da eleição ?

O Clube dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar é uma entidade de resistência que não deve se agachar, nem ser entregue a Governo nenhum. É o guardião da independência e do respeito do oficialato da corporação, cuja honra nunca entregou a ninguém, nem mesmo ao rei.

Para não se alongar dizendo a lista de conquistas, fiquemos na mais recente. Após seis anos a luta pelo pagamento da Bolsa Desempenho aos inativos a vitória definitiva chegou. Um Mandado de Segurança impetrado pelo Clube dos Oficiais, e pela Caixa Beneficente, quando ainda era presidida pelo coronel Maquir Cordeiro, esgotou todos atos processuais, faltando a Justiça oficiar a PBPrev para implantar nos contracheques.

O Governo perdeu todos as suas investidas nesse processo. Contestou o pedido e perdeu, a Justiça julgou procedente o pedido das entidades da Polícia. O Governo recorreu ao Supremo Tribunal Federal, e lá uma nova derrota. O processo voltou ao Tribunal de Justiça da Paraíba. Mesmo com trânsito em julgado da ação, o Governo que nunca gostou da Polícia, insistiu em não cumprir e ajuizou uma Ação Rescisória, também apenas para ganhar tempo e não pagar.

Os desembargadores do TJ julgaram improcedente, e o Governo perdeu novamente. De forma desumana e desrespeitosa o Governo interpôs Embargos Declaratórios, com pedido de efeito suspensivo. Mas o desembargador Abraham Lincol , nome de um lenhador que foi presidente dos Estados Unidos, cortou o tronco improdutivo da Justiça, não acolheu os Embargos, e encerrou o processo. Agora é pagar.

E voltando a sessão beija-mão em Palácio, uma pergunta que não deixa calar : Qual o sentido teria um governador se envolver numa eleição de entidade da Polícia, oficializando as candidaturas “chapa branca”, se não fosse o de controlar a entidade e calar a categoria. Viva a Polícia independente, seja em que Governo for.

 

Marcelo José

Jornalista e Advogado