Todos os anos milhares de jovens sertanejos deixam o pedaço de terra na zona rural onde nasceram para tentar a vida em João Pessoa a Capital do estado da Paraíba. Alguns vão até para outros estados, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia.
Mais que uma tradição esse é o destino de muitas famílias. Os pais assistem seus filhos , ainda muito jovens, tomarem destino a um futuro melhor.
Florisvaldo Barnabé de Souza seguiu o roteiro de uma história dessas. Aos 14 anos deixou a Vila Vazante na cidade de Diamante, no Vale do Piancó, para construir uma vida e um futuro melhor. Foi ajudante de pedreiro, caminhoneiro, gerente de loja e depois comerciante na Empasa ( antiga Ceasa) na Capital do estado.
A caminhada se tornou mais difícil pois além de buscar um futuro melhor para sua vida precisou superar a dor da partida do pai, que resolveu deixar a família e seguir rumo ignorado.
Aos 14 anos de idade o menino se viu o homem da casa, foi para Ibiara trabalhar como ajudante de pedreiro na obra de asfalto na estrada que liga Itaporanga a Conceição. A ocupação lhe fazia bem, pois ao mesmo tempo em que ocupava a mente e tentava esquecer o ato transloucado do pai de deixou a casa, ganhava algum dinheiro para se sustentar e ajudar sua mãe e suas irmãs.
O menino da Vila Vazante em Diamante teve de pular etapas, precisou amadurecer antes do tempo, virar a página, superar as dificuldades. Trocou as brincadeiras dos adolescentes e a sala de aula por trabalho duro na esperança de ter dias melhores para ele e para os seus.
Tão logo ficou de maior idade pegou a estrada num caminhão. A vida de caminhoneiro foi outra fase de aprendizado e lições.
Aos 20 anos de idade Florisvaldo encontrou sua cara metade, dona Neide, com que está casado há mais de 40 anos. Florisvaldo e dona Neide tem três filhos : Faunny, Stennyo e Sannielly. Ganharam mais duas filhas : Júlia (esposa de Faunny) e Nadja (esposa de Stennyo). E cinco netos : Laryssa, Miguel e Lavínia (filhos de Faunny e Júlia), Emilly e Nicolly, filha de Stennyo.
A vida como caminhoneiro nas estradas do Brasil é um desafio e impôs um dos momentos mais difíceis para Florisvaldo, quando foi vítima de assalto violento e quase teve sua vida ceifada. Foi um alerta que o fez mudar de trabalho.
Deixou a profissão de caminhoneiro e passou a trabalhar como gerente de uma empresa dentro da Ceasa ( Central de Abastecimento) no bairro do Cristo Redentor em João Pessoa.
Na Empasa ( antiga Ceasa) construiu muitos amigos e após 12 anos na empresa se uniu a um sócio e decidiram abrir seu próprio negócio.
A sociedade durou cinco anos e após isso Florisvaldo seguiu sozinho no comércio construindo ao longo de décadas a marca de sua empresa a “Hortifruti Pai e Filho” fornecendo frutas para diversos supermercados e mercadinhos em diversas cidades da Grande João Pessoa.
Nesse período de junho Florisvaldo é um dos comerciantes que investem na Feira do Milho Verde na Empasa, comercializando milho 24 horas. Uma das festas mais populares da família nordestina reúne a família de Florisvaldo no comércio de milho.
Quis o destino que cinquenta anos atrás Florisvaldo tivesse vivenciado a experiência de orfão de pai vivo, pois viu seu genitor deixar a casa e seguir rumo ignorado deixando a esposa e os filhos pequenos na Vila Vazante, em Diamante. Agora 50 anos depois, Florisvaldo ver estampado em sua empresa “Hortifruti Pai e Filho”, uma coincidência ou um ensinamento pra toda vida.
O nome da empresa “Pai e Filho” é uma homenagem a Florisvaldo e Stennyo, mas ao mesmo tempo é um ensinamento para a vida : que pai e filho estejam sempre juntos.






