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Empresário confessa crimes, assina delação com a PF e revelará envolvidos e esquema de fraudes contra aposentados do INSS

9 de abril de 2026
Empresário confessa crimes, assina delação com a PF e revelará envolvidos e esquema de fraudes contra aposentados do INSS

O escândalo das fraudes em descontos bilionários contra aposentados do INSS está prestes a revelar os detalhes do esquema. Um dos empresários confessou os crimes, assinou delação com a Polícia Federal e vai entregar os envolvidos.

Preso desde setembro sob suspeita de ser um dos beneficiários das fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o empresário Maurício Camisotti assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal no qual admite a existência de fraudes nos descontos das aposentadorias.

Camisotti é apontado como um dos principais operadores do esquema. Ele foi um dos alvos da Operação Sem Desconto na mesma fase que deteve Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

A informação foi inicialmente publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Ele negociava o acordo desde o fim do ano passado. Nesta semana, a defesa enviou o material ao gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), responsável pela homologação.

Há a expectativa de que, com o acordo, o relator conceda a prisão domiciliar a Camisotti.

O acordo também deverá passar pela PGR (Procuradoria-Geral da República), mas a negociação foi feita apenas com a PF. Esta é a primeira delação da investigação.

Pesa contra o empresário as acusações de fraude na arrecadação das dívidas e corrupção para facilitar o esquema.

Para assinar um acordo de delação, ele precisa confessar crimes e apresentar provas da narrativa que apresentar às autoridades, incluindo a indicação de outras figuras importantes envolvidas, como dirigentes e políticos, e material de corroboração, como conversas e documentos.

O escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões, sem autorização dos segurados, ganhou notoriedade em abril do ano passado durante a primeira operação da PF e da CGU (Controladoria Geral da União).

Os investigadores suspeitam que entidades responsáveis pelos descontos e empresas que prestam serviços a elas seriam usadas como fachada para lavagem de dinheiro. Camisotti é apontado como beneficiário das fraudes.

Empresas ligadas a Camisotti receberam, por exemplo, transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos). A entidade é uma das principais investigadas no caso dos descontos irregulares. O INSS repassou quase R$ 400 milhões à Ambec entre 2023 e 2025.

Como a Folha mostrou no ano passado, Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo. O valor foi retirado de sua conta em 11 saques.

Entre 2018 e 2025, foram feitos 17 saques, sendo o maior deles no valor de R$ 3 milhões, segundo relatório elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a pedido da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Congresso sobre fraudes no INSS.

Também foram retirados R$ 285 mil de sua conta —neste caso, o relatório não afirma com clareza quem foi o sacador, apesar de apontar Camisotti como titular da conta. Essas transações levantaram suspeitas de burla na fiscalização do sistema financeiro.

À época da prisão, a defesa de Camisotti dizia que ele nunca participou de qualquer irregularidade envolvendo o INSS.

Em março, um desdobramento da Sem Desconto, que está sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão de outros dois suspeitos de envolvimento no escândalo e a instalação de tornozeleira eletrônica na deputada Gorete Pereira (MDB-CE). Ela nega ter cometido qualquer irregularidade.

Com informações do Estadão, Folha e MídiaNews

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