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Justiça suspende licença de usina de hidrogênio verde no Piauí que retiraria água do Rio Parnaíba

15 de janeiro de 2026
Justiça suspende licença de usina de hidrogênio verde no Piauí que retiraria água do Rio Parnaíba

A Justiça Federal atendeu ao pedido do Ministério Público Federal (MPF) e suspendeu os efeitos da licença de instalação do empreendimento Solatio H2V Piauí, voltado à produção de hidrogênio e amônia verdes em Parnaíba (PI). A decisão liminar (provisória) determina a paralisação imediata de quaisquer obras ou atos de implantação vinculados à planta industrial, sob pena de multa de R$ 1 milhão, em caso de descumprimento.

Na ação, o MPF demonstrou que o licenciamento ambiental estadual foi concedido sem a prévia outorga de direito de uso de recursos hídricos, necessária para a captação planejada de mais de 91 milhões de litros de água por dia no Rio Parnaíba. Por se tratar de um rio de domínio da União, a autorização deve ser emitida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Além disso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) emitiu parecer técnico desfavorável ao acesso do projeto à rede elétrica, alertando para riscos de sobrecarga e colapso de tensão nas linhas de transmissão da região.

De acordo com a decisão, a instalação de um empreendimento desse porte, sem a devida comprovação de viabilidade hídrica e elétrica, afronta os princípios da precaução e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e esvazia o caráter preventivo do licenciamento ambiental.

O juiz responsável pelo caso destacou o risco de danos graves ou irreversíveis ao meio ambiente, com potencial impacto em Unidades de Conservação federais, como a APA Delta do Parnaíba, e sobre o modo de vida de povos e comunidades tradicionais que dependem do rio para sua subsistência.

Além da paralisação das obras, a Justiça determinou que a empresa inicie o processo de obtenção de outorga junto à ANA em até 15 dias. Também foram intimados órgãos como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que forneçam informações técnicas sobre os impactos interestaduais do projeto e sua viabilidade regulatória no setor elétrico.

Íntegra da decisão

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